Prefeita de Araci pode perder mandato por abuso de poder e assédio eleitoral; placar parcial aponta cassação

A prefeita de Araci, no nordeste do estado, Maria Betivânia Lima da Silva, apresentada nas urnas como Keinha (PDT), pode ter o mandato cassado no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). O julgamento que apura a gestora eleita por denúncias de abuso de poder político e assédio eleitoral nas eleições de 2024 avançou nesta semana, colocando a gestão da pedetista sob risco de interrupção.

Até o momento, o placar parcial registra dois votos favoráveis à cassação do mandato e à declaração de inelegibilidade, contra apenas um voto pela absolvição. Ela é acusada de abuso de poder e assédio judicial. Em vídeo, ela é flagrada afirmando que não aceitaria votos de trabalhadores na oposição da cidade.

“Família 12 [Número ligado a seu partido], vocês não podem esquecer. Tem cargo de confiança, caminhando com vereador de oposição. Vou chamar de porta em porta e dar escolha, ou você quer a família 12 por inteira ou vaze. Não aceito que a família 12 vote em vereador da oposição”, declara a gestora em um evento político cercado por servidores.

O julgamento foi temporariamente suspenso após pedidos de vista simultâneos do presidente da Corte, desembargador Abelardo da Mata, e do desembargador Ricardo Maracajá. A pausa ocorre em um cenário de alta tensão jurídica, alimentado por ponderações dos magistrados que já votaram.

Ainda durante a audiência no TRE-BA, foi pontuada a acusação de que a própria prefeita e seus apoiadores teriam ameaçado várias testemunhas da cidade por ter posições políticas diferentes. 

DISCURSO AOS SERVIDORES

Em divergência que abriu caminho para a maioria parcial foi liderada pelo desembargador Moacyr Pitta Lima. Em seu voto, o magistrado afirmou que as provas audiovisuais anexadas aos autos são irrefutáveis e demonstram a gravidade da conduta da gestora.

“Eu não seria convencido por ninguém no dia de hoje. Eu já vim para cá previamente convencido”, pontuou Pitta Lima. Ao analisar o discurso da prefeita, ele classificou as palavras da gestora como uma admissão de culpa.

“Esse discurso acintoso é, antes de tudo, uma confissão da utilização dos cargos em benefício próprio. No dia seguinte, quem é o louco de acompanhar um candidato a vereador da oposição depois de uma ‘chamada’ dessa?”, questionou, referindo-se ao efeito intimidador sobre servidores e eleitores.

Acompanhando o entendimento pela condenação, a desembargadora Maízia Seal Carvalho reforçou que o foco do processo transcende o segredo do voto, atingindo a liberdade democrática. “A questão não é interferir no voto, é compelir, é proibir”, destacou a magistrada, enfatizando o caráter coercitivo das ações atribuídas à prefeita.

O Ministério Público Eleitoral, representado pelo procurador-regional Cláudio Gusmão também manteve posicionamento favorável a perda do mandato durante a sessão. Para o procurador, o processo é um reflexo direto das ações da própria Keinha. “Se alguém é responsável pela cassação do eventual mandato dela, é ela própria”, sentenciou Gusmão.

A suspensão por pedido de vista é um procedimento comum em casos de alta complexidade, permitindo que os magistrados analisem melhor os autos antes de proferir seus votos. Caso a maioria se consolide pela cassação após a retomada do julgamento, a decisão terá efeito imediato sobre a governabilidade do município.

Os votos podem ser vistos por meio da live do TRE-BA abaixo:

Pela legislação eleitoral vigente, se o mandato do chefe do Executivo é cassado pela Justiça Eleitoral, o município de Araci deverá passar por novas eleições (eleições suplementares), independentemente do tempo de mandato restante. Até o desfecho do processo, a prefeita permanece no cargo, mas sob a sombra de uma decisão que pode mudar o rumo político da cidade.

Status do Julgamento:

  • Votos pela Cassação: 2 (Des. Moacyr Pitta Lima e Des. Federal Maízia Seal Carvalho)
  • Votos contra a Cassação: 1
  • Pendentes: Des. Abelardo da Mata (Presidente) e Des. Ricardo Maracajá (Vistas).

DISPUTA JURÍDICA

A prefeita Keinha e a vice Gilmara Goes Magalhães (PSD) respondem a uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder político e assédio eleitoral nas eleições de 2024. A acusação tem como base o vídeo gravado em um comício, no qual a gestora ameaça servidores comissionados e contratados que apoiassem a oposição.

Segundo o processo, as falas teriam resultado em retaliações administrativas. Servidores relatam remoções e exonerações após manifestações políticas contrárias à prefeita, configurando possível perseguição.

O caso também chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que obteve decisão obrigando a prefeita a garantir a liberdade de voto dos funcionários. Ela assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) comprometendo-se a não praticar assédio eleitoral.

Em primeira instância, a Justiça reconheceu o abuso de poder, mas aplicou apenas multa de R$ 150 mil, sem cassar o mandato. A decisão foi contestada pela coligação adversária e pelo Ministério Público Eleitoral, que recorreram ao TRE-BA solicitando cassação e inelegibilidade.

Lula lidera todos os cenários em primeira pesquisa de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém firme na busca da reeleição para o seu quarto mandato. O petista lidera todos os cenários simulados na primeira pesquisa eleitoral de 2026 feita pelo instituto AtlasIntel, parceiro do Grupo A TARDE, divulgada nesta quarta-feira, 21, que mede a intenção de votos dos candidatos na corrida ao Palácio do Planalto.

No primeiro cenário mais ampliado com Lula, Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o petista leva a melhor com larga vantagem. Enquanto o presidente tem 48,4%, o senador aparece com 28% e o governador de São Paulo com 11%.

Na segunda simulação, Lula tem 48%, enquanto Flávio aparece com 35%. Em seguida surgem o governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil) com 4,3%, o empresário Renan Santos (Missão) com 3,4%, os governadores do Paraná Ratinho Jr. (PSD) e de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) empatados com 2,8% e por fim Aldo Rebelo (DC) com 1%. Votos brancos ou nulos representaram 1,5% das respostas dos entrevistados e aqueles que não souberam em quem votar somaram 0,4%.

Em mais um cenário, na qual o governador de São Paulo substitui o senador, a vantagem de Lula aumenta. O presidente tem 48,5% e Tarcísio 28,4%. Completam a lista, Caiado (5%), Ratinho Jr. (3,9%), Zema (3,9%), Renan (3,2%) e Aldo(1,1%). Brancos e nulos foram 5% e 1,1% não souberam em quem votar.

No quarto cenário, com Michelle Bolsonaro (PL), no lugar de Flávio e Tarcísio, Lula aparece com 48,2% das intenções de voto. Michelle tem 30,9%, seguida de Caiado (11,3%), Renan (3,9%), o governador do Rio Grande so Sul, Eduardo Leite (PSD) que pontua com 1,7% e Aldo Rebelo encerra a lista com 0,7%. Brancos e nulos foram 2,8% e aqueles que não souberam 0,5%.

Quando a disputa exclui os nomes de integrantes da família Bolsonaro e de Tarcísio, Lula lidera isolado com 48%, seguido de Caiado (15,2%), Zema (11,4%), Ratinho Jr. (9,4%) , Renan (3,9%) e Aldo (1%). Votos brancos ou nulos representaram 8,1% e 2,2% disseram não saber em quem votar.

O instituto também questionou os eleitores em que eles votariam se os candidatos fossem os mesmos da eleição de 2022. Neste recorte, Lula lidera com 46,4%, seguido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com 43,4%, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) com 3,2%, e a atual ministra do Planejamento Simone Tebet (MDB) com 2,3%.

Atualmente, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as últimas eleições presidenciais e está inelegível.

No quesito rejeição, quem lidera é Jair Bolsonaro com 50%, seguido de Lula, com 49,7%. O terceiro nome mais rejeitado é o de Flávio (47,4%). Na lista de 13 nomes, Michele é a quinta mais rejeitada (44,9%), enquanto Tarcísio é o nono (41,1%). O menos rejeitado é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) com apenas 36,9%.

A Atlas/Intel ouviu 5.418 pessoas entre 15 e 20 de janeiro. A margem de erro da pesquisa é de 1 p.p. para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A metodologia utilizada foi a de Recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02804/2026.

2º turno

Em um eventual 2º turno, Lula também venceria todos os adversários. A diferença de votos varia entre 4 p.p. e 25 p.p.. Confira os números:

  • Cenário 1

Lula: 49%

Jair Bolsonaro: 45%

  • Cenário 2

Lula: 49%

Tarcísio de Freitas: 45%

  • Cenário 3

Lula: 49%

Flávio Bolsonaro: 45%

  • Cenário 4

Lula: 49%

Michelle Bolsonaro: 45%

  • Cenário 5

Lula: 49%

Ronaldo Caiado: 39%

  • Cenário 6

Lula: 49%

Romeu Zema: 39%

  • Cenário 7

Lula: 49%

Ratinho Jr.: 39%

  • Cenário 8

Lula: 49%

Eduardo Leite: 23%

Haddad surpreende

A pesquisa da Atlas/Intel mostra que o chefe da equipe econômica do governo Lula também tem um bom desempenho na disputa. De acordo com o levantamento, Fernando Haddad venceria tanto Flávio Bolsonaro, quanto Tarcísio de Freitas.

No primeiro cenário, Haddad tem 41,5% contra 35,4% de Flávio. Em seguida aparecem Ronaldo Caiado (5,2%), Renan Santos (3,4%), Romeu Zema (3,3%), Eduardo Leite (2,6%) e Aldo Rebelo (1,1%).

Na segunda simulação, o ministro aparece com 42%, seguido de Tarcísio que tem 28,9%, Ronaldo Caiado com 5%, Ratinho Jr. 4,9%, Romeu Zema com 3,8%, Renan Santos com 3,6% e Aldo Rabelo 0,7%.

Comissão do Congresso aprova verba extra a partidos estimada em R$ 160 mi para 2026

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional (CMO) aprovou, nesta quarta-feira (3), um aumento estimado em cerca de R$ 160 milhões para despesas dos partidos em 2026. A medida foi incluída na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que ainda precisa passar pela votação do plenário nesta quinta-feira (4). 

No ano eleitoral de 2026, estão previstos cerca de R$ 1 bilhão para o fundo partidário, que financia despesas gerais das legendas, e mais R$ 4,9 bilhões para o fundo eleitoral, que banca as campanhas dos candidatos. 

A proposta enviada pelo governo federal para o fundo eleitoral era de R$ 1 bilhão, mas a CMO aprovou o aumento para R$ 4,9 bilhões em setembro. 

Nesta quarta, ao final da votação da LDO, a comissão decidiu aprovar um destaque proposto pelo deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP) que beneficia os partidos e causa um impacto milionário aos cofres públicos. 

O adendo determina que o fundo partidário seja reajustado retroativamente, desde 2016, segundo a regra do arcabouço fiscal (que prevê aumento de até 2,5% acima da inflação ao ano).

O relator da LDO, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), manifestou posição contrária. O deputado Bohn Gass (PT-RS) também votou contra. 

Questionado pela reportagem, Motta afirmou que não tinha uma estimativa do impacto da medida que propôs. Na votação, ele apenas argumentou que o aumento era de interesse de todos os parlamentares e partidos. 

De acordo com cálculos do relator, o valor seria de cerca de R$ 160 milhões. Maia disse ser contrário à medida “por considerar a realidade do país”. “São muitos milhões de reais para ampliar um fundo que cuida das despesas do dia a dia dos partidos. A gente precisa racionalizar o Orçamento e priorizar temas importantes. […] Isso vai custar muito caro para o bolso do contribuinte”, afirmou. 

“A gente precisa saber o que é prioridade para o país. Aumentar o fundo partidário, na minha concepção, não é prioridade. É um absurdo”, disse Maia. 

A LDO também traz uma obrigação expressa de que o governo Lula (PT) pague 65% das emendas parlamentares antes do início do período eleitoral, em 4 de julho de 2026. A regra vale para emendas individuais e de bancada para área da saúde e assistência social e para as emendas Pix.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o governo cedeu aos partidos do centrão ao aceitar escrever em lei o calendário de pagamento de emendas. O centrão diz ter votos para impor que 100% das emendas sejam pagas até o meio do ano, mas aceitou um acordo de 65% -o governo propunha 60%. 

Nesta quarta, ao aprovar a LDO, a CMO deu autorização expressa para o governo perseguir o piso inferior da meta de resultado primário em vez do centro. 

Sem esse dispositivo legal, o governo poderia precisar congelar um volume maior de despesas para cumprir as regras fiscais, o que poderia ter repercussão negativa para a atual gestão em pleno ano eleitoral. 

A meta fiscal de 2026 prevê um superávit de 0,25% do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a um saldo positivo de R$ 34,3 bilhões. A margem de tolerência, porém, permite que o resultado efetivo seja zero. Além disso, há gastos que ficam fora das regras fiscais. No fim das contas, o saldo final das contas pode ser um déficit primário de R$ 23,3 bilhões.
 

Lula lidera todos os cenários e venceria eleição, segundo pesquisa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria reeleito para o seu quarto mandato se as eleições fossem no próximo domingo, 7. É o que aponta a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira, 2.

Segundo o levantamento, o petista venceria em todos os cenários simulados. Quando os adversários são os mesmos do pleito de 2022, Lula aparece com 45,7%, seguido de Jair Bolsonaro (PL) com 44,8%, Simone Tebet (MDB) 2,9% e Ciro Gomes (PDT) com 2,8%. Atualmente, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as últimas eleições presidenciais e está inelegível.

Em um segundo cenário, contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o petista pontua com 48,4% , enquanto o aliado do ex-presidente aparece com 32,5%, e o terceiro lugar é o governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil) com 5,7%.

No terceiro cenário, em simulação contra a ex-premeira dama Michelle Bolsonaro (PL), mas sem Tarcísio, Lula venceria por 48,7% contra 28,6%. Caiado aparece com 9,4%. Em simulação com Flávio Bolsonaro (PL), Lula estaria acima com 47,3% contra 23,1% do filho do ex-presidente. Caiado seria o 3º lugar com 10,2% e Ratinho Jr. teria 7,2%. Em cenário sem um nome direto ligado a Bolsonaro, Lula lidera com 48,5%, seguido por Caiado (16,9%) e Ratinho Jr. (12,6%).

Segundo turno – Em cenários hipotéticos de segundo turno, Lula tem vantagem contra todos os adversários. Contra Bolsonaro, Lula venceria por 49% contra 47%. Os mesmos valores são observados na simulação de Lula contra Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro.

Em dois cenários, contra o governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado há projeções idênticas: Lula teria 49% dos votos, contra 41% dos governadores em cada um dos casos. No caso de Ratinho Jr. (PSD) a diferença é de 49% para Lula e 40% para o governador do Paraná. Em cenário contra o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), Lula venceria por 47% contra 28%.

Para chegar ao resultado, a AtlasIntel ouviu 5.510 pessoas entre os dias 22 e 27 de novembro de 2025, por meio de Recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é 1 p.p. para mais ou para menos, com margem de confiança de 95%.

Justiça condena Nikolas Ferreira a pagar R$ 40 mil por chamar mulher trans de homem

A Justiça de São Paulo condenou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) a pagar R$ 40 mil por danos morais em episódio de 2022 no qual o parlamentar chamou de “homem” uma mulher trans. 

À época, Nikolas, então vereador de Belo Horizonte, republicou e comentou nas redes sociais um vídeo em que a mulher contou ter sofrido transfobia em um estabelecimento de beleza em São Paulo, que disse só atender mulheres cisgênero. 

No processo, a defesa do hoje deputado federal cita liberdade de expressão e imunidade prevista na Constituição a vereadores por “suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do município”. 

O juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 42ª Vara Cível, considerou não ser aplicável a imunidade parlamentar, uma vez que o tema não fazia referência à “discussão de temas relativos ao município onde o parlamentar exercia o mandato na época dos fatos”. 

Apontou, ainda, que a “ideologia de gênero” mencionada por Nikolas no processo é termo “utilizado por determinados grupos religiosos, que insistem em negar a pessoas o direito de se atribuir a um gênero diverso daquele que lhes foi atribuído quando nasceram”. 

“Em uma sociedade em que vigora a liberdade e a democracia, não parece razoável negar esse direito [de autoidentificação de gênero]”, afirmou o magistrado.

“Afinal, trata-se de fato que não atinge a esfera jurídica de mais ninguém, a não ser da própria pessoa envolvida: as demais pessoas continuarão a poder exercer suas opções sexuais, as igrejas continuarão a poder realizar seus cultos, pais e mães perdurarão no exercício de transmitir seus valores morais à prole. Nada, absolutamente nada mudará, a não ser para a própria pessoa que se atribui o gênero diverso ao nascimento.” 

Bezerra também afirmou que o “debate de ideias entre grupos políticos não pode ser utilizado para discriminar” e citou a ADO (Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão) 26, na qual a transfobia foi equiparada ao crime de injúria racial. 

Apontando não haver dúvida de que a autora do processo “sofreu dor apta à caracterização dos dados extrapatrimoniais, de notável repercussão”, o juiz determinou a Nikolas o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 40 mil. 

O parlamentar também foi condenado a pagar as despesas processuais, fixadas em 10% do valor da indenização. A decisão é do dia 19 de novembro. Ainda cabe recurso. 

Nikolas Ferreira foi vereador de Belo Horizonte de 2020 a 2022 e depois se elegeu deputado federal. O parlamentar acumula denúncias de transfobia, como condenação pela Justiça de Minas Gerais contra Duda Salabert (PDT-MG) em razão de episódio ocorrido em 2020, quando o político disse que chamaria Duda pelo pronome “ele” durante entrevista.

Outros casos emblemáticos foram episódio em que Nikolas apareceu na tribuna da Câmara dos Deputados usando peruca, no dia Dia Internacional da Mulher de 2023, e postagem na internet feita pelo deputado em 2022 de vídeo de uma aluna trans em um banheiro feminino de uma escola.

Por unanimidade, STF decide tornar Eduardo Bolsonaro réu por tentar coagir Supremo sobre julgamento do pai

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, de forma unânime, receber a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e torná-lo réu na Corte. O julgamento ocorre no plenário virtual, onde os ministros depositam seus votos por meio eletrônico.

O voto da ministra Cármen Lúcia, registrado neste sábado (15), seguiu a posição do relator, ministro Alexandre de Moraes, que já havia votado pelo acolhimento da denúncia. Também acompanharam o entendimento os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin. A análise da matéria no plenário virtual segue até o dia 25 de novembro, prazo no qual os ministros ainda podem modificar seus votos, solicitar vista do processo ou pedir o deslocamento do caso para o plenário físico.

Eduardo Bolsonaro é acusado pela PGR de tentar interferir, fora do país, no andamento de um processo judicial que envolve seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a acusação, a conduta se enquadra no crime de coação no curso do processo. Com a decisão de receber a denúncia, foi aberta formalmente uma ação penal contra o parlamentar. Após a conclusão da fase de julgamento virtual e a publicação da ata, o processo seguirá suas etapas subsequentes, que incluem a oitiva de testemunhas, a produção de provas e o interrogatório do réu.

As informações são do g1.

Justiça determina cassação de prefeita e vice de cidade da BA por abuso de poder e concessão de benefícios em troca de votos

A Justiça Eleitoral determinou a cassação da prefeita e o vice-prefeito de Maiquinique, no sudoeste da Bahia, por abuso de poder político, captação ilícita de votos e conduta vedada. A prefeita Valéria Silveira (PV) e o vice dela, Kayke Jardim (PSD), são investigados por usar benefícios públicos para angariar votos para as eleições em 2024.

Segundo informações levantadas durante a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), divulgada no Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA), nesta terça-feira (23), os políticos manipularam a data de pagamento dos precatórios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

A dupla disputou a reeleição no ano passado e só liberaram o pagamento um dia antes de se recandidatarem oficialmente. Além disso, eles promoveram o pagamento nas redes sociais, como uma estratégia para alavancar a imagem de suas candidaturas.

Na análise da Justiça, a manipulação da data de pagamento dos benefícios configura manipulação e o abuso de poder. O órgão pontua ainda que a divulgação do pagamento contribuiu para que “eleitores ingênuos, crédulos e de pouca escolaridade” acreditassem que a ação foi uma benfeitoria concedida pela prefeita.

Ainda na AIJE, os políticos investigados concederam licenças-prêmio para servidores públicos em troca de apoio político. Conforme a investigação, entre janeiro e outubro de 2024, a prefeita Valéria Silveira e o vice concederam 46 licenças-prêmio, sendo 27 convertidas em pecúnia e 19 não convertidas e 18 indeferidas. A concessão dos benefícios teria sido feita de forma arbitrária, sem histórico funcional do servidor, análise dos Recursos Humanos ou parecer jurídico, o que caracteriza a captação ilícita de sufrágio.

O g1 tenta contato com o Partido Verde (PV) e o Partido Social Democrático (PSD) para mais detalhes sobre o caso.

Diante disso, a juíza da 91ª Zona Eleitoral determinou a inelegibilidade dos investigados pelo prazo de oito anos e a cassação do diploma dos dois. Além disso, ela estabeleceu uma multa de R$ 10 mil para cada um. A coligação do qual a dupla faz parte, chamada de “Coligação Maiquinique Segue Avançando”, também deve pagar multa de R$ 10 mil, por conduta vedada. Vale ressaltar que a decisão ainda deve passar por instâncias superiores até que as determinações sejam aplicadas.

MP Eleitoral pede cassação de vereadores em Serrinha por suspeita de fraude em cota de gênero

O Ministério Público Eleitoral da Bahia (MPE-BA) ingressou com ação pedindo a cassação dos mandatos de vereadores eleitos pela Federação PSDB/Cidadania em Serrinha. O órgão alega que houve fraude na cota de gênero durante as eleições municipais de 2024.

De acordo com a denúncia, a federação lançou 18 candidatos a vereador, sendo 12 homens e 6 mulheres. Entre as candidatas, Janete Teixeira da Silva e Ana Lúcia de Lima teriam registrado campanhas apenas para cumprir formalmente o percentual mínimo de 30% de candidaturas femininas exigido por lei, sem efetiva intenção de disputar o pleito.

O promotor de Justiça Eleitoral Fábio Nunes Bastos Leal Guimarães destacou que as duas apresentaram movimentação inexistente ou mínima na campanha. Janete, por exemplo, desistiu da candidatura em setembro de 2024, mas não formalizou o pedido na Justiça Eleitoral, não declarou gastos e recebeu apenas um voto. Já Ana Lúcia obteve 15 votos, declarou apenas uma doação de baixo valor e não comprovou atividades de campanha.

“Não se trata de punir candidaturas pouco expressivas, mas de coibir candidaturas absolutamente inativas, utilizadas apenas para atingir o percentual legal”, afirmou o promotor.

Com o pedido, o MPE requer a anulação de todos os votos atribuídos à Federação PSDB/Cidadania em Serrinha, a cassação dos registros e diplomas dos eleitos, além da declaração de inelegibilidade por oito anos dos envolvidos.

Atualmente, a federação ocupa duas cadeiras na Câmara de Serrinha, com os vereadores Rosineide da Silva Lima Souza (Rose de João Grilo) e José Marcondes Oliveira Santos (Bode), que podem perder os mandatos caso a Justiça acate o pedido.

A ação tramita na 150ª Zona Eleitoral de Serrinha e aguarda decisão judicial.

Veja quais deputados baianos votaram a favor da PEC da Blindagem

Nessa terça-feira (16), a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 3/2021, conhecida como “PEC da Blindagem”. O texto determina que a abertura de processos criminais contra parlamentares só poderá ocorrer com autorização do Congresso Nacional.

A medida, considerada polêmica, recebeu críticas de parte da bancada baiana, que avalia que a mudança pode enfraquecer a atuação do Judiciário no combate à corrupção e favorecer a impunidade.

Por se tratar de alteração constitucional, eram necessários 308 votos favoráveis (três quintos do plenário). No primeiro turno, a proposta obteve 353 votos a 134; no segundo, 344 votos a 133.

Votos da bancada baiana

Na Bahia, 22 deputados votaram a favor da PEC. Dois não participaram da votação — João Leão (PP) e João Carlos Bacelar (PL) —, enquanto Alex Santana (Republicanos) se absteve.

Deputados baianos que apoiaram a PEC 3/2021:

  • Adolfo Viana (PSDB)
  • Arthur Oliveira Maia (União Brasil)
  • Bacelar (PV)
  • Capitão Alden (PL)
  • Cláudio Cajado (PP)
  • Dal Barreto (União Brasil)
  • Diego Coronel (PSD)
  • Elmar Nascimento (União Brasil)
  • Félix Mendonça Júnior (PDT)
  • Gabriel Nunes (PSD)
  • José Rocha (União Brasil)
  • Leo Prates (PDT)
  • Leur Lomanto Júnior (União Brasil)
  • Márcio Marinho (Republicanos)
  • Mário Negromonte Júnior (PP)
  • Neto Carletto (Avante)
  • Paulo Azi (União Brasil)
  • Paulo Magalhães (PSD)
  • Raimundo Costa (Podemos)
  • Ricardo Maia (MDB)
  • Roberta Roma (PL)
  • Rogéria Santos (Republicanos)

Primeira Turma do STF tem maioria para condenar Bolsonaro por todos os crimes da Trama Golpista

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quinta-feira (11) para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus por todos os crimes dos quais foram acusados pela Procuradoria-Geral da República na Trama Golpista.

O placar chegou a 3 votos a 1 após a ministra Cármen Lúcia acompanhar o relator, Alexandre de Moraes, e o ministro Flávio Dino. Os três votaram pela condenação de Bolsonaro, seus ex-auxiliares e militares.

Os crimes pelos quais já há maioria pela condenação de Bolsonaro de mais sete réus são:

Deterioração de patrimônio tombado

Golpe de Estado

Abolição violenta do Estado Democrático de Direito

Organização criminosa

Dano qualificado contra patrimônio da União

No caso do réu Alexandre Ramagem, ele é o único que os ministros estão excluindo de dois crimes: dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração do patrimônio tombado.

Os oito réus são:

Anderson Torres: ex-ministro da Justiça

Jair Bolsonaro: ex-presidente da República

Walter Braga Netto: general, ex-ministro de Bolsonaro e candidato a vice na chapa do ex-presidente

Mauro Cid: tenente-coronel, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator

Almir Garnier: ex-comandante da Marinha

Alexandre Ramagem: ex-diretor da Abin e deputado federal

Augusto Heleno: general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional

Paulo Sérgio Nogueira: general e ex-ministro da Defesa

Os argumentos de Cármen

A ministra fez um voto de quase 2 horas — bem menor que o de Fux, que a antecedeu nesta quarta e votou por 13 horas.

Cármen Lúcia começou dizendo que esse é um julgamento do passado, do presente e do futuro do Brasil, em razão dos episódios de ruptura democrática ao longo da história do país.

Leia a notícia completa do G1 clicando aqui.

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